Uma vez mais, uma vez mais
Sou pra você
Uma estrela.
Ai do marujo que tomar
O ângulo errado de marear
Por uma estrela:
Ele se despedaçará nas rochas,
Nos bancos sob o mar.
Ai de você, por tomar
O ângulo errado de amar
Comigo: você
Vai se despedaçar nas rochas
E as rochas hão de rir
Por fim
Como você riu
De mim.
(tradução de Augusto de Campos)
*
Elefantes batiam-se a golpes de marfim:
pareciam talhados na pedra branca.
Cervos entrecruzavam seus galhos:
pareciam travados por antigas núpcias
em mútua paixão e mútua infidelidade.
Rios desaguavam no mar:
o braço de um afogava o colo do outro
(tradução Augusto de Campos)
*
NÚMEROS
Eu vos contemplo, ó números!,
vestidos de animais, em suas peles,
as mãos sobre carvalhos destroçados.
Mostrais a união entre o serpear
da espinha dorsal do universo e o bailado da balança.
Permitis a compreensão dos séculos, como os dentes
numa breve gargalhada.
Meus olhos se arregalam intensamente.
Aprender o destino do Eu, se a unidade é seu dividendo.
(tradução de Marco Lucchesi)
*
Meninas, aquelas que passam,
calçando botas de olhos negros,
nas flores de meu coração.
Meninas que pousam as lanças
no lago de suas pupilas.
Meninas que lavam as pernas
no lago de minhas palavras.
(tradução de Marco Lucchesi)
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